Reconciliação

setembro 18, 2014

A verdade é que estamos cegos na escuridão em local desconhecido. Não considero que já vivi muito, mas percebo padrões, clichês e cacoetes nas instâncias do comportamento. Inventam-se filosofias, metas, mantras, deontologias como linhas-guia rumo ao desconhecido. Há a falácia de que é possível ver a luz – luz sem qualquer acepção religiosa -. Naturalmente, me refiro à luz de conhecer, fundamentalmente a si próprio, mas essas luzes são todas ilusórias. São encenações mentais que criamos para que tenhamos a impressão de que há controle, há no que se basear, há porto seguro, mas não há. No entanto, entender que não há certeza nem o pensamento único verdadeiro não deve causar aflição. Devemos aceitar, entender e buscar agir reconhecendo a natureza da vida e a nossa própria natureza. É mentalmente cômodo e reconfortante ter leis próprias entalhadas, ter máximas, sejam elas apreendidas em filmes da Disney ou através da filosofia alemã. Fazer uso de muletas mentais que só mostram uma face de algo multifacetado é realmente tentador. Eu era cego e agora enxergo a minha cegueira.


Back in the Village

fevereiro 5, 2009

Após uma longa ausência, ocasionada pelos estudos do pré-vestibular, retorno ao blog. Espero que não aconteçam mais intervalos tão grandes por causa de compromissos próprios, mas ao menos, este foi de grande utilidade, pois consegui ser aprovado no curso de Comunicação Social na UFBA (Sim! Em alguns anos deixarei de ser aspirante a jornalista!). Gostaria então de discorrer um pouco sobre essa experiência, antes dos exames, no próprio exame, na expectativa pelo resultado e um pouco sobre depois dele.

Bem, como reza o senso-comum, o todo é estressante, não raras são as situações em que se beira a insanidade, e a minha tendência ao hiperbólico facilitou bastante as crises! Mas foi útil, pois funciono melhor sob pressão, e ainda “morrinhou” na mente a ideia da prova, de avaliação, como se fosse possível julgar alguém apto a ingressar numa faculdade com algumas questões em algumas horas apenas. Das crises, as mais recorrentes foram os ataques violentos de mau-humor, além de outras flutuações emocionais bizarras. Tenho dó dos que conviveram comigo o ano de 2008! Contudo, a mais insólita, foi a ocorrida na noite anterior ao primeiro dia de prova da primeira fase : Um acesso de coceira interminável! Só consegui dormir duas horas no total, e fiz a prova impulsionado pelo café forte matinal.

Concluída a primeira fase, consegui fazer um prognóstico sobre o resultado. Pela pontuação estava garantido na fase seguinte, logo me inscrevi na revisão da segunda fase. O espaço de tempo entre a primeira fase, resultado dela e o início da segunda fase correu num fluxo frenético e numa confusão mental de retoques e últimas anotações que sequer posso descrever, devido ao lapso que se instalou.

Então, fui “em direção ao destino” (mais clichê impossível!), com mais um drama incluído : Gripe na hora da prova! Levando em consideração ter estado três anos com a saúde perfeita e minha índole racionalista, posso dizer que foi um evento infeliz! Mas não chegou a atrapalhar, as provas com questões abertas aparentaram ser demasiadamente simples, e respondi quase de maneira automática, depois de tanto praticar. O saldo final é esse, um número de inscrição e seguir os conceitos pré-determinados pela universidade desejada, mesmo que ela siga ideais “avançados e modernos”. Entretanto, o que a pós-modernidade prega é justamente a falta de verdade absoluta. Há diversas indiossincrasias e até uma postura conservadora e totalitária pode ser aceita e tomada como correta em um determinado contexto. Todavia, aceitemos…

O suplício na espera pelo resultado foi triste, transmutação em um ser semi-vivo capaz de apertar F5 no site do vestibular da UFBA. Dia 31 de janeiro deste ano, finalmente, saiu o resultado. Ovo quebrado na cabeça (confundiram com aniversário), choro da vó, choro da mãe, almoço em restaurante (coisa rara) e uma alegria fugaz.

Ps.: O texto segue as regras do novo acordo ortográfico (frescura lusófona para vender mais livros)!

 

Back in the village again.


O absurdo ainda vive.

setembro 9, 2008

Incrível ver como certas pessoas ainda tem a capacidade de regredir mentalmente no que tange na linha evolutiva da racionalidade. A princípio, o homem, incapaz de explicar os fenômenos da natureza tentava pôr sentidos nos eventos que o rodeavam em mitos e deuses da natureza, ao perceber que havia falta de lógica em adorar animais e objetos inanimados evoluiu para o monoteísmo transcendente, pondo na dúvida existencial humana um escapismo no etéreo e distante. Pois bem, após anos de atraso o homem finalmente chegou na era da ciência, a justificativa científica, dotada de lógica e constância de eventos seguindo determinadas etapas de um processo a ser estudado. Mas certos homens ainda possuem uma posição fatalista, seguem preceitos antiquados que visavam a dominação econômica e mental para manutenção da decadência mental e física de algumas religiões, privando-se da sua própria liberdade inerente à condição humana natural. O pior é que minha bandeira de liberdade foi proposta no século XVIII, mas ainda há os que vivem na Idade Média. Regredir é um crime. Ser produto da dominação ideológico-religiosa é negar sua própria condição humana.