Reconciliação

setembro 18, 2014

A verdade é que estamos cegos na escuridão em local desconhecido. Não considero que já vivi muito, mas percebo padrões, clichês e cacoetes nas instâncias do comportamento. Inventam-se filosofias, metas, mantras, deontologias como linhas-guia rumo ao desconhecido. Há a falácia de que é possível ver a luz – luz sem qualquer acepção religiosa -. Naturalmente, me refiro à luz de conhecer, fundamentalmente a si próprio, mas essas luzes são todas ilusórias. São encenações mentais que criamos para que tenhamos a impressão de que há controle, há no que se basear, há porto seguro, mas não há. No entanto, entender que não há certeza nem o pensamento único verdadeiro não deve causar aflição. Devemos aceitar, entender e buscar agir reconhecendo a natureza da vida e a nossa própria natureza. É mentalmente cômodo e reconfortante ter leis próprias entalhadas, ter máximas, sejam elas apreendidas em filmes da Disney ou através da filosofia alemã. Fazer uso de muletas mentais que só mostram uma face de algo multifacetado é realmente tentador. Eu era cego e agora enxergo a minha cegueira.