Aforismas parte 2

abril 24, 2011

Talvez isto seja reflexo de uma certa convivência twíttica, mas acredito mais na idéia de que quero dizer muitas coisas de uma vez só, assim, sintetizar é a melhor saída.

Achar-se tolerante e achar-se alguém que transita por várias áreas, tribos e grupos é um erro primário e lamentável.

Pinçar, copiar e colar coisas sobre um determinado tema na internet não faz o seu site/blog interessante e genial (nenhum é no fim das contas, estando de mau humor).

De comum nos extremos há a inegável imbecilidade.

Expor-se demasiadamente (pode ser internet também) é fornecer munição para os inimigos e aporrinhar os amigos.

De todas as falhas, o orgulho e a arrogância são os imperdoáveis.

Caçoar dos fracos só te faz imbecil e muito, muito fraco de caráter.

Por mais quieto e lesado que alguém possa parecer, ele certamente é muito menos isso do que você pensa.

Por isto, um abraço e um sorriso não compensam meses de indiferença.

Parece extremamente ingênuo pensar sua pequena segmentação, sua opção minoritária é o supra-sumo do universo. Pois é.

Por fim,  gostaria de acreditar numa justiça metafísica, divina, ou do fluxo da vida, enfim, mas tá difícil.

Ps.: Uma certa frase metalinguística que postei no Twitter faz sentido para além daquele determinado meio, e é passível para esta seguinte expansão: A internet é o reino onde tudo se torna domínio público em menos de 10 minutos.


Tucaninho da Estrela

outubro 17, 2010

Vou aproveitar a efervescência dos debates políticos e comentar um pouco sobre o segundo turno das eleições presidenciais e mais especificamente sobre a, para mim, inexistência de diferenças essenciais nas cartilhas do PT e do PSDB.

O governo Lula seguiu a cartilha social-democrata keynesiana, o que particulamente me agrada bastante,  já que isto resultou em uma significativa melhoria das condições sociais no Brasil, mas, em efeitos práticos, não há tanta discrepância em relação ao PSDB. Sempre argumentam de tal modo sobre os avanços que parece que o governo Lula inventou o fogo, porém, o contexto histórico do governo FHC foi outro, e é essencial levar em conta que o desenvolvimento de um país é gradual, deriva de um processo. Não pensar desta forma é deixar se levar por paixões partidárias e ir na via direta para o equívoco.

Sem dúvida o governo Lula foi bom, mas foi bom pois antes aconteceu a estabilização econômica, política que não foi alterada um milímetro (até o presidente do BC em Lula foi o mesmo de FHC), e até a criação dos programas de distribuição de renda, condensados no Bolsa-Família. O que me afasta de fato é este ímpeto gregário dos petistas e essa vocação a sufocar o que for contrário, além do social-sindicalismo que eles instalaram, em que o critério é ser um “companheiro”, não competente de fato. Conheço vários funcionários técnicos que foram demitidos por não serem do PT, sendo que o envolvimento deles com política partidária era do mesmo nível do envolvimento partidário da Mulher-Melancia.

Contudo, numa dimensão micro, pensando na minha classe de estudante, também não sou simpático ao projeto do PSDB, já que há uma forte tendência no partido em valorizar o ensino técnico, não o ensino acadêmico, além do desejo de sucatear as universidades federais. As famosas greves das federais que alimentam a lenda de que as federais são instituições caóticas ocorreram na era FHC. As universidades federais são os centros de pesquisa e criação de conhecimento do país e acredito que o Brasil precisa de mestres e doutores, não somente de técnicos. Também sou extremamente crítico ao bairrismo tucano, escancaradamente sulista, assim, em defesa da minha posição de nordestino, tenho que me opor.

Assim, levando em conta todos estes aspectos, resolvi não ter que tapar o nariz para escolher a excrescência que cheira menos mal. O voto nulo é tão democraticamente válido quanto o voto em um candidato. Quero expressar que precisamos de algo além desse jogo de fantoches pseudo-maniqueísta, em que bom de verdade não há. Dilma e Serra, são, no fim das contas, diferentes faces de uma mesma moeda.


A beleza do épico

agosto 13, 2010


Pois é, caros, depois de vários textos que tratam sobre música, volto a falar sobre a sétima arte. Aproveitei meu período de férias para assistir à fantástica trilogia d’O Senhor dos Anéis ( realizada enquanto cinema por Peter Jackson, por sua vez baseada na obra literária de  J.R.R. Tolkien) , e, com isto, pude perceber algumas coisas interessantes relativas ao seu gênero, principalmente em relação ao último filme, O Retorno do Rei. Não irei me delongar neste texto sobre aspectos da atuação, do roteiro ou da direção, mas sim sobre o gênero que este filme em especial representa muito bem, o gênero de filmes épicos.

Toda nação, enquanto entidade cultural, possui mitos de sua formação, que passam por guerras, aventuras e grandes histórias, que tentam remontar um passado glorioso, que sirva, ou de justificativa para a grandeza de uma nação, ou de alento para o crescimento futuro de um povo. Assim, o senso de sacrifício, de doação à uma causa maior, está sempre presente nessas histórias, e é isto que os filmes épicos trazem.

Confesso ser especialmente sensível a multidões, arqueiros, lanceiros e batalhas sem esperança de vitória. Desde quando assistia Coração Valente, que narra a história do herói e mártir escocês William Wallace, interpretado por Mel Gibson, me sentia muito compelido a compartilhar daqueles nobres sentimentos altruístas.

Com O Retorno do Rei, o sentimento toca o sublime, as batalhas são aterradoras, desconcertantes, difícil de segurar as lágrimas, de tão intensa que é a experiência. O filme como um todo é uma obra-prima, traz aquilo de mais magnífico que o cinema pode proporcionar. Não sei se é algo masculino essa queda por épicos, mas posso dizer, é realmente fantástico adentrar nesse mundo grandioso e cheio de fantasia, pois ajuda a esquecer o cotidiano por muitas vezes enfadonho e massacrante.


De satanás é o diabo!

julho 27, 2010

Pois é, filhos, volto para comentar sobre música novamente. Volto para tentar compreender a suposta ligação do conjunto de sons harmoniosos e melodiosos com o Tinhoso.  Alegam, na maioria dos casos, para sustentar a pretensa idéia de satanismo, o teor das letras das canções, que pregariam a degradação dos valores morais e o louvor à Satã. Inúmeras são as pregações e argumentos contra a música “do mundo”, ou seja, tudo que não seja religioso.

Curioso é como a música é o maior alvo da artilharia do fanatismo religioso. O gênero de filmes de terror, mesmo explorando inúmeros temas que envolvem zumbis, vampiros e assassinos seriais, não sofre com este ataque desprovido de qualquer sentido. A estratégia é quase medieval, para manter os cordeiros não se pode nem ouvir falar, é o louvor ao obscurantismo, se qualquer letra de canção possuir um termo relacionado com algo não-cristão, automaticamente a música passa a ser “do diabo”.

O porém maior, acredito, é o fato da música ter uma universalidade e grande capacidade de comoção, pelo ritmo, harmonia e melodia afetarem o ser humano naquilo que é mais primordial e instintivo. Por isso, a música, no seu formato canção popular, é vista como tão perigosa para a manutenção do status quo religioso, ao contrário de outras demonstrações estético-artísticas, que não afetam um público tão grande e precisam de um processo maior de iniciação para a fruição.

Por fim, gostaria de ressaltar que minha crítica não se direciona à crença em Deus ou em outras divindades, nem na religião no seu estado puro. Ela é voltada ao fanatismo,  ao obscurantismo medieval, para a falta de respeito e ao ímpeto cruzadista que acredita que tudo que não é cristão, é,  necessariamente, um  inimigo a ser destruído. Para os grandes apreciadores da música, e nela incluídas as canções, é no mínimo desagradável ter que ser visto como um adorador do mal.


Exagero e gosto musical

abril 26, 2010

Pois é caros, acredito que finalmente terei uma periodicidade nas postagens, irei me policiar para pelo menos uma coisa nova por semana. Cá estou novamente para conversar um pouco sobre música. Ao visitar o site Whiplash, o site em português mais completo sobre rock e heavy metal, vi uma lista sobre os “20 pais do heavy metal” ( http://whiplash.net/materias/melhores/067765-blacksabbath.html ).  A lista foi criada pelo canal canadense de TV MuchMoreMusic. O critério para a escolha foi de grupos que se tornaram referências no gênero.

Ok, até aí tudo bem, com o Black Sabbath, Led Zepellin, Iron Maiden, Judas Priest, AC/DC e o Kiss na lista, não há problemas, são grupos amplamente reconhecidos e que possuem uma influência muito grande na história do estilo musical em questão. Contudo, impliquei com a presença do System Of A Down no vigésimo lugar. Não questiono o seu valor musical, mas é, no mínimo, irresponsável tratar o System Of A Down como uma banda referência do estilo, por razões óbvias.

O SOAD é muito recente para ser considerado lendário. Talvez seja futuramente, mas é de um exagero atroz afirmar isto agora. Costumo definir a arte como um conjunto de fatores que a legitimam enquanto tal, que são: O fato de ser uma produção humana com intenção estética; o seu próprio valor estético e de inovação; permanência. Assim, é impossível que o System Of A Down seja já um clássico. O Iron Maiden não surgiu como clássico, se tornou pela sua permanência, pela sua capacidade de atravessar gerações.  Muito provavelmente uma questão pessoal influenciou bastante nesta lista, por um gosto individual, ou ainda uma questão de buscar agradar a um público que aprecia muito o grupo, porém, ter coerência não é desmerecimento. Cuidado com os críticos.


Menos é mais na música?

abril 13, 2010

Cá estou eu novamente, depois de um período longo sem postar nada no blog. Posso dizer que ocorreu uma revolução no meu gosto musical. Assumidamente sou um oitentista inveterado, muito pela influência familiar e pelo fato de ser guitarrista, já que esta década foi o período em que a guitarra como instrumento solista obteve mais destaque e o nível técnico no instrumento foi levado ao máximo com a ascensão de heróis da guitarra como Joe Satriani, Steve Vai e Yngwie Malmsteen. Por muito tempo só ouvi, executei, músicas desse período, mais especificamente as músicas do hard rock farofado e do heavy metal oitentista (Van Halen, Iron Maiden, Whitesnake, Ozzy Osbourne), mas uma espécie de cansaço musical me acometeu, afinal desde 2004 ouvia sem parar coisas bem similares.

Por algum motivo indeterminado, não queria nem encostar em nada dos anos 70, detestava desde o timbre da guitarra, bem mais leve do que eu costumava ouvir, até o som da bateria, que mais me parecia tocada em baldes de plástico. Faltava peso, vigor e agressividade, adjetivos fundamentais para mim por muito tempo. Pois é, puro preconceito, pois faz um tempo já que o AC/DC com o Bon Scott e o Kiss até o álbum Love Gun não saem do meu mp3 player. Além da parte do gosto, há outro porém na minha vida como guitarrista. Por vezes simplificar é mais útil do que encher a obra de floreios. Não se trata de uma condenação à técnica artística e uma ode ao tosco, mas de que para atingir sua consumação plena como obra nem sempre solos com dez minutos de duração enriquecem uma canção.

“Let there be rock!”


Império da acefalia

fevereiro 9, 2010

Recentemente, ao fazer uma compra de uma lente para câmera fotográfica ouço um comentário que me deixou intrigado: “Você sabe como é, o ano só começa depois do carnaval mesmo”. Que coisa abismal, um mês e meio de preparação para a “maior festa do planeta”! Vale ressaltar que sou morador da primeira capital do Brasil, a outrora São Salvador da Bahia de Todos os Santos, terra em que esta tão abençoada festa da carne é super-valorizada.

Pois bem, o carnaval  traz uma série de significados implícitos. Sua origem é inegavelmente popular, o momento que antecede os compromissos religiosos de abster-se da “carne”. Sem dúvida, em diversos locais o carnaval ainda é uma festa autêntica e popular, mas o que se vê na Bahia é uma estrutura midiático-capitalista muito excludente e de tendências cruéis e impositivas.

Não concordo totalmente com a Escola de Frankfurt, movimento filosófico estudado nas faculdades de comunicação principalmente, que além de cunhar o termo “indústria cultural” estudou os efeitos da modalidade massiva da cultura e seus aspectos, porém, não consigo imaginar que a música tocada no carnaval da Bahia não seja algo completamente baseado em fórmulas para o sucesso e que seu conteúdo tenha sempre uma tendência a estimular a apatia política e crítica. “Du da da”, “pareô parararará eô”, “aê ê ê ê ô ô ô” não são lá exemplos de músicas que provocam algum tipo de atividade cerebral útil.

É isso aí, não é o reino da folia, e sim o império da acefalia, o que há de popular numa festa restrita pelas cordas, em que é preciso desembolsar 800 reais para participar decentemente? Nisto a galera se mata o ano todo, juntando o dinheiro pois no carnaval tem que ver o “Chicletão”, não faz diferença mais nada, o importante é ver o careca-cabeludo, ir à praia, encher o carro de alto-falantes e ser o porretão, mesmo tomando facada na barriga no carnavel, estimulando o ócio improdutivo e incomodando os outros com seu gosto musical, sem pensar que não é o gosto de várias pessoas.

É absolutamente insuportável ver toda essa euforia midiática em relação a essa festa, ela corrobora uma série de valores terríveis de que se alguém não gostar do carnaval é alguém que não gosta de se divertir, que provavelmente tem alguma doença mental ou desvio sério de caráter por preferir ficar em casa ouvindo Kiss ou assistindo O Poderoso Chefão. Tudo isto é imposição de um modelo adotado pela maioria que de modo algum é aplicável a todos, deixem-nos em paz, mesmo que sejamos malucos e idiotas para vocês!