Meu all star preto

No começo de 2004, com ainda 14 anos incompletos (só completados em julho), descobri o heavy metal, mais especificamente o Iron Maiden, com o disco Somewhere in Time, que até já analisei música a música anteriormente neste canto abandonado de rascunhos que é meu blog pessoal (já que ninguém mais lê blogs mesmo não há motivo para escrever neles). Hoje, quase 10 anos depois ainda continuo apreciando consideravelmente o estilo musical (apesar de ter acrescentado diversos outros gêneros ao meu gosto), mas o principal aspecto a ser analisado é o porquê daquela banda e daquele gênero terem me arrebatado tanto. Ocorreu uma identificação imediata: não é popular no sentido de apreciado e aceito pela maioria (assim como eu era e ainda sou em certa medida), tem o que chamo de “pulso vital” bastante forte, é uma catarse musical onde é possível despejar frustrações e sentir uma estranha forma de justiça através da música.

Na adolescência me sentia incompreendido e sem capacidade de ser sociável e muito menos atrativo para alguma garota. Sentia uma certa ojeriza por quem eu considera como algozes e nutria um forte sentimento de pureza e elevação, seja ela na ordem das relações interpessoais quanto na apreciação artística. Ouvir música é algo especial, algo ritualizado que representa bastante da sua personalidade. Cortejar (pelo termo já dá para entender o sentido que empregava na coisa) a mulher amada deve ser algo sublime e a figura amada deve ser igualmente sublime, fazendo uso de todos os lugares comuns clássicos do envolvimento amoroso. O heavy metal me dava forças quando eu me sentia fraco e sem coragem de procurar me aproximar da garota que eu gostava, quando eu me sentia injustiçado e começava a ter autopiedade o heavy metal me compelia a não ceder e ser engolido pelas circunstâncias desfavoráveis, ele me ajudou a me recusar a ser um fracasso e a conseguir na força de riffs super distorcidos e pesados e chutes na porta metafóricos negar tudo aquilo que era desenhado para mim.

Hoje lembro com nostalgia do meu all star preto e da minha camisa do Iron Maiden (Piece of Mind!). Usar estas roupas me dava um grande ânimo e servia para mostrar que eu estava vivo, que sentia, pulsava, tinha vontades e desejos. Aquilo tudo ainda representa a minha essência, jamais será esquecido e continuará sempre sendo adotado como máxima. Obrigado Steve, Adrian, Dave, Bruce e Nicko, obrigado Ozzy, Dream Theater, Megadeth, Whitesnake. Não posso ser forte todo o tempo, por isso sempre precisarei de vocês. Enquanto existirem almas perturbadas, o heavy metal existirá.

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