Questionamento sobre o ano vindouro

janeiro 1, 2013

Não tenho motivos para comemorar o começo de 2013. Comemorações, na minha avaliação, totalmente subjetiva e idiossincrática, são justas quando relacionadas à conquistas definitivas, assim, comemorações plenas seriam realmente raras. Acho um despautério o primeiro dia do ano ser um dia de não fazer nada, um convite à leniência nos 364 (ou 365, dependendo) dias restantes.

A chama do desejo de realização, o senso de realização do legado da raça humana, queima intensamente em mim e recusa-se a comemorar e considerar que tudo irá se resolver sem maiores dificuldades ou preocupações. Recuso-me  a aceitar o que já está dado e tenho grande pressa de realizar e produzir.

A questão remonta um dilema humano primordial: Ter ciência da própria morte. A morte põe um prazo na nossa existência e nas nossas possibilidades, é a morte que nos impele ao desenvolvimento e a busca pelo auto-melhoramento.  Se de um lado a ciência da morte dá o empurrão necessário para que não paremos na absoluta indolência, ela também é angustiante. Não desejamos a morte, logicamente, e, se enganar a morte biologicamente é impossível, há contudo, outras formas de se tornar imortal.

A maneira de se tornar “imortal” é deixar uma marca indelével da passagem pela Terra com suas realizações, e por isto a minha ânsia devoradora, já que o nível de lembrança é proporcional, a menos idealmente, ao nível de excelência e relevância do que se produz. A minha escolha para tentar deixar uma marca que não pode ser apagada foi através da arte, mais especificamente através da fotografia.

Continuarei buscando a “imortalidade”, sem confundir esta busca com algo megalomaníaco ou arrogante, mas como uma forma de marcar a ferro nas memórias posteriores os meus gostos, inquietações, angústias, interpretações e outras diversas especificidades do indivíduo humano. Este é o 2013 que  buscarei, não desejarei. É o 2013 sem idealizações tolas ou fatalismos limitadores.