Sofrimento e redenção – Bahia 1 x 0 Vitória da Conquista – 29-04-2012

abril 29, 2012

Seguindo o clichê futebolístico, haja coração! No importantíssimo triunfo do Bahia, no jogo de volta das semifinais do Campeonato Baiano foi na base da raça e do coração que o Bahia assegurou sua classificação para enfrentar, além do arquirrival Vitória, todo o peso de uma década sem conquistas domésticas.

Desde ontem eu, que não tinha ido a nenhum jogo antes desta edição do Baianão, senti a obrigação de ir apoiar meu tricolor bem de perto. Não é a primeira vez que me sinto chamado por algo que está no ar, algo que não tem explicação. Recebi este chamado também nos acessos (2007 e 2010), assim como em outros momentos importantes para o bicampeão brasileiro.

Pois bem, me preparei e fui viver emoções extremamente intensas lá no Pituaçu (PituAÇO para os íntimos). Desde o começo da partida, como era de se esperar, o Bahia tomou a iniciativa, pois precisava reverter com um triunfo simples o resultado do primeiro jogo da semifinal, em que o Bahia foi derrotado por 1 x 0. Algumas peças do time não funcionavam, apesar da clara disposição que tomou conta de todos os jogadores, contudo, Gerley, lateral-esquerdo, e Morais, o 10, erraram muito e dificultaram a partida. Pura pressão e nada de gol, o Conquista veio só para se defender e nisto, o primeiro tempo vai embora.

No intervalo começo a me preocupar, pois o time demonstrava uma certa dose de nervosismo e aquele filme de martelar, martelar e não sair do zero é mais do que batido. Contudo, procurava me acalmar, fechar os olhos e procurar a resposta mentalmente de como seria o resultado do jogo, e a ideia de triunfo nunca saiu da cabeça. E então começa o segundo tempo com a mesma história do primeiro, Bahia em cima, mas dando mais espaços para contra-ataques. O desespero começou a bater.

E este desespero só aumentou com a claríssima chance de gol que o Vitória da Conquista teve, cara a cara com Lomba, com dois chutes seguidos a gol, sendo que um atingiu a trave tricolor. Paralisante e assustador! Mas procurei me acalmar novamente, e sabia que seríamos vitoriosos novamente e já comecei a pensar em como seria minha reação ao comemorar o gol que selaria a vaga na final.

O tempo passava, uma infinidade de escanteios para o Bahia, pressão total, Lomba abandona o gol para tentar marcar em mais uma bola chuveirada na área. Parecia que tudo estava perdido quando já nos aproximávamos do final da partida, até que, em mais um escanteio, o zagueiro-artilheiro Donato veio salvar a lavoura. Gol! Tentei me precaver antes, mas, como em diversas situações em jogos do Bahia, chorei de intensa alegria, ainda mais esta, que veio em contraponto a muito sofrimento! Depois daí, só comemoração.

A torcida, vale ressaltar, apoiou o time o tempo todo, sem deixar de acreditar. Estamos na final para quebrar escritas dos últimos anos, mas eu sei que a mística do tricolor da Boa Terra é maior e prevalecerá!


Meus 21 anos

abril 21, 2012

Desalento e desencanto. A passagem definitiva para a vida adulta é constituída basicamente destas duas coisas. Não tenho mais ídolos, nenhum disco novo de nenhuma banda de rock faz a minha cabeça, não há mais a emoção do amor juvenil. Antigamente, solos de guitarra distorcida me faziam ter verdadeiras experiências estéticas, em que sentia que aquele trecho da música comunicava sem dizer uma única palavra, mas tudo hoje é envolvido por uma espessa nuvem de cansaço, sono e impaciência.

Não rio do que eu ria antes, não me emociono com as mesmas coisas e sem dúvida não me emociono com a mesma intensidade. Não vivo mais epopeias e grandes dramas, no máximo historietas de 30 segundos, no formato comercial. Não gosto mais de filmes grandiosos, com grandes batalhas épicas, pois só filmes de pessoas conversando me satisfazem hoje. Substituí confrontos de espadas e flechadas por relatos amargos da vida, raramente esperançosos.

Também deixei de enfatizar o prazer ao escolher o que fazer. Funcionalidade e retorno. Para quê escrever coisas meramente idiossincráticas num blog pessoal, tocar Heavy Metal na Bahia dentro do quarto e fotografar para o meu próprio gosto apenas? Quero mais é deixar a guitarra encostada na parede e fotografar margarina e pasta de dente. Até mesmo o prazer deve ser racionalizado. 30 minutos de conversa com o amigo, uma hora para a namorada, 20 minutos para jogar emulador de Super Nintendo. É  a cota de sanidade posta numa fôrma, com as arestas aparadas, bem encaixada na agenda e cada vez mais desanimadora.