Tucaninho da Estrela

outubro 17, 2010

Vou aproveitar a efervescência dos debates políticos e comentar um pouco sobre o segundo turno das eleições presidenciais e mais especificamente sobre a, para mim, inexistência de diferenças essenciais nas cartilhas do PT e do PSDB.

O governo Lula seguiu a cartilha social-democrata keynesiana, o que particulamente me agrada bastante,  já que isto resultou em uma significativa melhoria das condições sociais no Brasil, mas, em efeitos práticos, não há tanta discrepância em relação ao PSDB. Sempre argumentam de tal modo sobre os avanços que parece que o governo Lula inventou o fogo, porém, o contexto histórico do governo FHC foi outro, e é essencial levar em conta que o desenvolvimento de um país é gradual, deriva de um processo. Não pensar desta forma é deixar se levar por paixões partidárias e ir na via direta para o equívoco.

Sem dúvida o governo Lula foi bom, mas foi bom pois antes aconteceu a estabilização econômica, política que não foi alterada um milímetro (até o presidente do BC em Lula foi o mesmo de FHC), e até a criação dos programas de distribuição de renda, condensados no Bolsa-Família. O que me afasta de fato é este ímpeto gregário dos petistas e essa vocação a sufocar o que for contrário, além do social-sindicalismo que eles instalaram, em que o critério é ser um “companheiro”, não competente de fato. Conheço vários funcionários técnicos que foram demitidos por não serem do PT, sendo que o envolvimento deles com política partidária era do mesmo nível do envolvimento partidário da Mulher-Melancia.

Contudo, numa dimensão micro, pensando na minha classe de estudante, também não sou simpático ao projeto do PSDB, já que há uma forte tendência no partido em valorizar o ensino técnico, não o ensino acadêmico, além do desejo de sucatear as universidades federais. As famosas greves das federais que alimentam a lenda de que as federais são instituições caóticas ocorreram na era FHC. As universidades federais são os centros de pesquisa e criação de conhecimento do país e acredito que o Brasil precisa de mestres e doutores, não somente de técnicos. Também sou extremamente crítico ao bairrismo tucano, escancaradamente sulista, assim, em defesa da minha posição de nordestino, tenho que me opor.

Assim, levando em conta todos estes aspectos, resolvi não ter que tapar o nariz para escolher a excrescência que cheira menos mal. O voto nulo é tão democraticamente válido quanto o voto em um candidato. Quero expressar que precisamos de algo além desse jogo de fantoches pseudo-maniqueísta, em que bom de verdade não há. Dilma e Serra, são, no fim das contas, diferentes faces de uma mesma moeda.