De satanás é o diabo!

julho 27, 2010

Pois é, filhos, volto para comentar sobre música novamente. Volto para tentar compreender a suposta ligação do conjunto de sons harmoniosos e melodiosos com o Tinhoso.  Alegam, na maioria dos casos, para sustentar a pretensa idéia de satanismo, o teor das letras das canções, que pregariam a degradação dos valores morais e o louvor à Satã. Inúmeras são as pregações e argumentos contra a música “do mundo”, ou seja, tudo que não seja religioso.

Curioso é como a música é o maior alvo da artilharia do fanatismo religioso. O gênero de filmes de terror, mesmo explorando inúmeros temas que envolvem zumbis, vampiros e assassinos seriais, não sofre com este ataque desprovido de qualquer sentido. A estratégia é quase medieval, para manter os cordeiros não se pode nem ouvir falar, é o louvor ao obscurantismo, se qualquer letra de canção possuir um termo relacionado com algo não-cristão, automaticamente a música passa a ser “do diabo”.

O porém maior, acredito, é o fato da música ter uma universalidade e grande capacidade de comoção, pelo ritmo, harmonia e melodia afetarem o ser humano naquilo que é mais primordial e instintivo. Por isso, a música, no seu formato canção popular, é vista como tão perigosa para a manutenção do status quo religioso, ao contrário de outras demonstrações estético-artísticas, que não afetam um público tão grande e precisam de um processo maior de iniciação para a fruição.

Por fim, gostaria de ressaltar que minha crítica não se direciona à crença em Deus ou em outras divindades, nem na religião no seu estado puro. Ela é voltada ao fanatismo,  ao obscurantismo medieval, para a falta de respeito e ao ímpeto cruzadista que acredita que tudo que não é cristão, é,  necessariamente, um  inimigo a ser destruído. Para os grandes apreciadores da música, e nela incluídas as canções, é no mínimo desagradável ter que ser visto como um adorador do mal.