Da minha ojeriza pela Bossa Nova

novembro 28, 2009

Antes de iniciar qualquer argumentação, gostaria de lembrar que é um texto fundamentalmente impressionista, nada com rigor aplicável a contextos fora das minhas opiniões. Que cada expressão artística tem seu valor e que ela é apreciada por determinados grupos eu sei, mas gostaria de referendar meu distanciamento do estilo que está no título do texto e fazer uma pequena ode ao rock.

Quando o termo Bossa Nova aparece para mim conexões automáticas são realizadas, e uma em especial me chama atenção. Chico Buarque. Pedante demais. Além disso gosto mesmo é de Raul e do raulseixismo, do “faz o que tu queres” de Crowley e do “meu filho, é isso aí” do Seixas mesmo. Raul é baiano, ave, oxe! Chico é carioca, de olhos azuis, escreve livros, fala de toda a conjuntura histórico-político-social brasileira ao som de acordes dissonantes riquíssimos para uma bela melodia e harmonia. Sei que há diversos nomes baianos da Bossa, como João Gilberto e seu ouvido absoluto insuportável, mas a imagem principal é essa mesma: Moradores do Leblon e de Copacabana ociosos, leitores de todos os clássicos universais. Raul é rock, Raul é acorde natural, só tônica, terça e quinta mesmo, é força visceral para criticar e declarar amor ao país – “eu amo a merda deste país” -.

A origem do rock é estadunidense. A Bossa é brasileira, mesmo com suas influências jazzísticas. Bossa é boçal, é intelectualóide de universidade pública, pseudo-nacionalista, marxista de leitura de orelha de O Capital que não sai do seu apartamento do Leblon ou da Pituba. Rock é hedonismo, força visceral e plena, um louvor ao que há de simples e prazeroso, pois não é no conservatório dos músicos elevados que está a arte, nem nos acordes dissonantes, nem na capacidade de improviso, nem conhecimento dos modos gregos, nem na técnica apurada para arpejos e palhetadas alternadas. Rock é o mi, ré, lá de Back in Black. Então, do que vale ser “brasileiro” em termos e não atingir o objetivo, ficar restrito àqueles dotados de “nível intelectual/musical suficiente”? Antes Eu nasci há dez mil anos atrás com acordes naturais de dó, ré e lá maior do que o acorde de mi com sétima e nona com o baixo invertido em qualquer desses louvores ao nada. “Quando acabar o maluco sou eu”.

“E no teatro Vila Velha, velho conceito de moral, Bosta Nova pra universitário, gente fina e intelectual”.


Notícia rápida – Iron Maiden

novembro 11, 2009

Até o final do ano o Iron Maiden deve se reunir para a composição do seu 15º álbum de inéditas. Momento de tensão, já que Steve Harris, baixista e líder da banda, sempre afirmou que planejava gravar 15 discos de estúdio e que depois encerraria a carreira. Álbum de despedida da Donzela de Ferro? A notícia é do canal Metalexpressradio.com .


“Eu vou navegar…”

novembro 6, 2009

Eu vou navegar

Rio Vermelho – Salvador – Bahia


Frustração

novembro 4, 2009

Por muito e muito tempo meu ideal de vida era ser um grande guitarrista. Comprei milhões de revistas, perdi milhares de horas repetindo escalas, treinando palhetada alternada, querendo repetir com perfeição os solos dos heróis da guitarra… Iniciei a tocar com 11 anos, no ano de 2002 (faço aniversário em julho), e até o ano de 2007, a música era o que me motivava a seguir, e sem dúvida, era o que tirava as amarras da vida cotidiana medíocre e me levava para um idílio fantasioso lindo.

Pois bem, as obrigações da vida fizeram com que o devaneio pueril fosse sendo dissipado lentamente. Não tinha mais tempo para treinar, o máximo que conseguia era manter o nível técnico, não podia mais me imaginar como Adrian Smith ou Joe Satriani. Não me importava mais com isso, pois passar no vestibular e ser uma pessoa “séria” me parecia ser mais interessante no momento, mas não é bem assim de forma constante, esquecer algo tão representativo.

Ao ver uma banda se apresentando ao vivo o coração aperta. Gostaria de estar lá, imitar Raul, Steve Harris, Angus Young, Zakk Wylde, enfim, ser um rocker genuíno, dar chute em porta, louvar o que há de belo na vida. Trocaria instantaneamente esse mar de citações, referências e egos por uma sequência melodiosa de notas executadas por mim. Que belo é o amor pela música…