O que nos traz uma viagem

outubro 18, 2009

Bem, não só de textos chatos, amargos e cheios de crítica se faz este blog! Trago aqui um texto que tem como tema os modos de viajar e seus significados, escrito por Giulia, meu amorzão, meu bebê,  minha namorada! O texto recebeu nota máxima na sua avaliação e eu também o avaliei como muito bom, é claro!

O que nos traz uma viagem

Viajar… um simples ato de transição que pode nos trazer uma grande experiência de vida. Às vezes nem é só preciso transitar, mas também imaginar. Imaginar-se voando por entre suas idéias mesmo que elas não tenham asas. Só de olhar e admirar, uma viagem já está em andamento. Olhar duas crianças e nelas imaginar seus próprios filhos já é uma viagem. Admirar uma paisagem, mesmo que por foto, também é uma viagem. Mas por meio de tantos modos de viajar, qual é o verdadeiro sentido em viajar?

O verdadeiro sentido que nos leva a isso são os sonhos, a motivação, a curiosidade e todas as características humanas de querer aprender cada vez mais. Com certeza viajar nos traz um aprendizado e consequentemente uma nova experiência. Programar uma viagem é como estar aberto a novos conhecimentos, como é a experiência de conhecer um outro país, a pessoa nunca saberá o que está esperando por ela. Um desafio, uma mudança que trará uma eventual lição e descoberta. E aí é percebido que tudo se renova, modifica-se depois de uma viagem.

Sonhar também é um dos modos de viajar. Acreditar que um dia você pode ser feliz em tal lugar, tal situação… essa viagem é capaz de arquitetar uma nova vida. Viajar enquanto se sonha, sonhar enquanto se viaja, tudo está relacionado. Para viajar não é só necessário pegar um avião. Para viajar basta apenas ter uma mente aberta e com grande capacidade de imaginação.

A mudança é positiva quando uma viagem se completa. No final, só colhemos os frutos maduros que plantamos por durante toda a viagem. Viajando em um poema, uma canção, em um carro ou em um sonho. Por isso adapta-te! E seja feliz na viagem em que sua vida é o trem e você é o passageiro a descobrir novos e belos caminhos dela.


Análise de Bastardos Inglórios – Perverso, cômico e genial

outubro 10, 2009

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Finalmente a espera terminou! Pude assistir hoje Bastardos Inglórios, peguei a primeira sessão do dia (teoricamente a segunda de todas, pois a pré-estréia ocorreu ontem) e aguardei. Demora, milhões de trailers e até que enfim, começa!

1941, França ocupada pelos nazistas, o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) visita uma fazenda à busca de judeus, ele é conhecido como Caçador de Judeus. A família de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), que lá estava escondida, é descoberta e assassinada, e somente ela sobrevive, para depois buscar vingança. Um grupamento chamado Bastardos Inglórios tem como missão apenas matar o maior número de nazistas possível. O grupo é formado por soldados judeus e é liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido também como O apache, pois, além de ser descendente de índios, nas instruções iniciais para seus comandados ele estabelece uma meta: Cada um deve trazer 100 escalpos de nazistas para ele.

Com isto posto, Tarantino monta um filme perverso, cômico e recheado da mais pura arte cinematográfica. Todos os elementos tradicionais dos seus filmes estão lá: Referências ao gênero cinematográfico; diálogos extensos e inteligentes; trilha sonora magnífica; cenas de extrema violência; abordagem pop, divertida e incomum. Posso estar ainda extasiado pelo pouco tempo que se deu da minha apreciação para a análise, mas pessoalmente, este filme teve um impacto de agrado similar ou superior para mim em relação à Pulp Fiction (1994), até então, meu filme preferido do diretor.

O diretor apresenta um certo amadurecimento com esta última obra, a narrativa flui perfeitamente, mesmo com os inúmeros flashbacks explicativos e seu humor, mesmo extremamente politicamente incorreto, está muito aguçado. Atenção para as cenas com Hitler(Martin Wuttke), que está muito caricato, para a cena dos Bastardos tentando falar italiano na estréia do novo filme de Goebbels (Sylvester Groth), e sem dúvida todas as cenas do Coronel Hans Landa. O ator Christoph Waltz rouba a cena de fato, não duvido de indicações e premiações diversas a ele.

Não esperem coerência com os acontecimentos históricos, porém é muito divertido imaginar a história de uma maneira alternativa. É um filme com a marca de Tarantino. Não há um grande questionamento, e sim um grande entretenimento, o que não quer dizer que isto signifique um demérito, pois não somente de filmes cult se faz uma boa apreciação de cinema, caso contrário Star Wars e Jurassic Park nada seriam além de obras montadas visando a alienação em relação aos problemas sociais para a manutenção do modo de produção capitalista. Besteira. Há fantasia e diversão de altíssima qualidade.

Realmente Tarantino é um mestre em criar cenas memoráveis. Certamente o ataque histérico de Hitler (“Nein ,nein, nein, nein, nein!”), o Urso Judeu (Eli Roth) e seu modo de “cuidar” dos inimigos, as cenas dos escalpelamentos, a “lembrança” que os Bastardos deixam nos sobreviventes serão lembrados assim como acontece em todos os seu filmes. Há momentos de tensão, angústia e dúvida, que fizeram com que eu realmente entrasse na experiência estética de um cinema real, pensante, intrigante, bizarro.

1944, Soshanna Dreyfus, adotando um nome falso, agora é dona de um cinema, e conhece o soldado Fredrick Zoller (Daniel Brühl, o protagonista de Adeus Lênin!), herói de guerra, que pelos seus feitos estrela um filme-propaganda do Terceiro Reich. Por estar interessado na jovem francesa consegue persuadir Goebbels a alterar o local da estréia do filme para o cinema de Soshanna, e isto desencadeia o plano dela para vingar-se, já que todo o alto comando nazista estará presente, inclusive Hitler. Os Bastardos Inglórios atuarão na Operação Kino, que tem como objetivo, eliminar os líderes alemães nesta mesma estréia. Nisto o problema se desencadeia e irá encaminhar para um desfecho, com o perdão do clichê, surpreendente.

A espera desde À Prova de Morte (2007), então, mostrou-se recompensadora e toda minha expectativa também foi válida, pois este era o filme pelo qual mais aguardava no ano. Aguardo agora pelo lançamento do DVD com os extras, já que 40 minutos da película foram retirados pelo próprio Tarantino. Sinceramente o que me desagradou foi o fato de muitos personagens interessantíssimos terem sido sub-aproveitados e senti um desejo de que o filme durasse mais, porém isto é pequeno diante do belo trabalho realizado e do ótimo entretenimento que ele proporciona.

Como diria nosso Gregório de Mattos:

“Que é melhor neste mundo o mar de enganos. Ser louco co’s demais, que ser sisudo!


Não importa o sotaque, e sim o jeito de dizer

outubro 5, 2009

CADEIRA

Pois bem, volta e meia retorno aqui para ser ácido, amargo ou crítico. Mais outra coisa me irrita pela sua evidente pecha hermética e pedante, que é o afamado meio acadêmico e seus mestres, doutores, pós-doutores e deuses.

Olhe só, cobra-se objetividade ao graduando, mas ao ser objetivo se é punido, pois não basta atribuir sentenças apenas e sim discorrer efetivamente acerca do percurso analítico sobre o qual o referido autor debruçou-se e formulou de fato certas afirmativas, estas porém, evidentemente questionáveis de acordo com o caráter dialógico de todas as ciências humanas, também ciente, logicamente, de todo o arcabouço teórico fornecido por toda a tradição hermenêutica-sociológica-ontológica cultivada por milênios por inúmeros preguiçosos estudiosos, tradição esta que deve ser reiterada incessantemente ad nauseam, para que por fim, tenhamos uma fabulosa e magnifíca verborragia infinita, inútil, estática e empoeirada num canto qualquer de uma biblioteca.

Ps.: Não se trata de uma crítica generalizada, pois há sem dúvida um grande valor na pesquisa e no conhecimento, só se trata de um protesto ao delírios lisérgicos ilógicos acadêmicos.


Análise de “A Verdade Nua e Crua”

outubro 3, 2009

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Ontem, sexta-feira, aproveitando meu pouco tempo disponível para o ócio, fui ao cinema, diga-se de passagem sem nenhuma pretensão cinematográfica, pois o filme que mais aguardo só irá ser lançado no Brasil no dia 9 deste mês, que é Bastardos Inglórios, novo filme de Tarantino. Ainda bem que fui em companhia da minha namorada, pois ao me deparar com o longa A Verdade Nua e Crua entrei num estado profundo de constrangimento e tédio, mas não um dos maiores, com certeza.

Um mar de clichês: mulheres sonhadoras e bobas; homens irracionais e simiescos; happy end numa cena panorâmica. Para tentar fugir um pouco das comédias românticas convencionais o filme dirigido por Robert Luketic aposta em palavrões e cenas sugestivas em demasia, mas no final, como era de se esperar, cai no romance néscio sem qualquer inovação. No roteiro, trata-se de uma tentativa de extrair algo de um gênero completamente gasto, o que torna cansativa e sonolenta a experiência de assistir à película.

Abby Richter, personagem de Katherine Heigl, é uma produtora de TV frustrada emocionalmente, até que acidentalmente assiste a um programa intitulado A Verdade Nua e Crua, em que o apresentador Mike Chadway, vivido por Gerard Butler (Leonidas, Rei de Esparta do épico 300), trata de destruir os devaneios femininos de encontrar o companheiro ideal, Abby revoltada liga para ele no programa e entra numa discussão. Posteriormente Mike, é contratado pela emissora de Abby e os conflitos continuam, trazendo óbvias cenas de guerra entre os sexos.

Após uma enxurrada de cenas tediosas supostamente divertidas, Abby encontra o homem ideal, e Mike a ajuda na conquista e como era evidente, ele acaba caindo de amores por ela neste processo e tudo descamba para o banal e já esperado. Tudo soa absurdo e abrupto, mudanças emocionais imediatas, acontecimentos atropelados num clima frenético picotado para desembocar (de fato)  no beijo final do casal num balão de ar transmitido ao vivo pela TV.  Contudo é possível apreciar a obra ciente das limitações deste caça-níqueis hollywoodiano.