Apocalypse Now – O caos, a loucura e o horror.

agosto 7, 2009

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Estou numa fase cinéfila, e nisso, aproveitando o período das férias, tirei meus dias de ócio para assistir a filmes diversos. Já gostava muito de Francis Ford Coppola, afeição motivada pela trilogia O Poderoso Chefão, especialmente as duas primeiras películas, que atingem o patamar de perfeição para mim. Nisto, busquei outro clássico do diretor: Apocalypse Now. Lançado originalmente em 1979, ganhou uma versão estendida em 2001, com 50 minutos a mais, minutos retirados na época do lançamento original devido à preocupação do diretor com o sucesso comercial do filme – a produção de Apocalypse Now foi extremamente onerosa  -. Rebatizada de Apocalypse Now Redux – revisitado, em latim-, foi esta a obra que pude apreciar.

O enredo trata da busca do desertor Coronel Kurtz (Marlon Brando) pelo Capitão Willard (Martin Sheen). Supostamente o coronel teria enlouquecido e estaria no comando de um exército de fanáticos no Camboja. O início já mostra a mente perturbada do Capitão Willard, e no decorrer da narrativa a sensação crescente de loucura, caos e horror é reforçada. Aí reside o grande questionamento da obra: A loucura generalizada de uma guerra sem propósitos. O filme entremeia este questionamento com outros aspectos, como a crítica política especificamente sobre a Guerra do Vietnã, os hiperestímulos relacionados ao sexo e o imperialismo europeu na Ásia.

Nas cenas adicionadas podemos ver o destino das coelhinhas da Playboy, presas num acampamento americano sem comando, e todo o lado psicológico que esta exposição pode causar,ainda há a cena do acampamento francês no Camboja, em que toca-se a questão do imperialismo europeu e todos os ranços entre as próprias nações dominantes e mais uma vez o lado feminino, na viúva francesa solitária. Nas cenas incluídas, o debate causado pelo filme se torna mais abrangente, apesar de deixar a narrativa mais pesada e lenta.

Nas cenas originais, destaco a clássica cena do ataque de helicópteros a uma vila vietnamita ao som de Marcha das Valquírias, além da cena do trajeto de barco no rio ambientada com Satisfaction, dos Rolling Stones e o sacrifício final, em que um boi foi verdadeiramente sacrificado, em outra cena controversa de Francis Ford Coppola, que já havia exposto uma cabeça de cavalo real no primeiro Poderoso Chefão. A loucura é marcante em todo o filme, e a iluminação alaranjada, realça ainda mais a idéia de calor enlouquecedor e desconforto. Por fim, difícil é distinguir quem, de fato é louco e assassino. Atenção para a atuação de Robert Duvall, interpretando o Tenente-Coronel Kilgore e a pequena participação de Harrison Ford, como o Coronel Lucas.

Todos estes componentes formam mais um filme memorável para a carreira de Coppola, e uma ousada provocação à cultura belicista estadunidense, num trabalho sonoro, visual e psicológico impactante e perturbador que põe em xeque a validade de uma guerra alheia, ou ainda de uma guerra, qualquer que seja, e os efeitos devastadores que ela pode ocasionar, nos que se relacionam com o conflito, diretamente e indiretamente. Trilha sonora perfeita, fotografia perfeita, ângulos incomuns e inovadores, cenas de guerra convincentes numa produção primorosa.  Um clássico.

Você não tem o direito de me julgar. Tem o direito de me matar, mas não de me julgar.”