Reconciliação

setembro 18, 2014

A verdade é que estamos cegos na escuridão em local desconhecido. Não considero que já vivi muito, mas percebo padrões, clichês e cacoetes nas instâncias do comportamento. Inventam-se filosofias, metas, mantras, deontologias como linhas-guia rumo ao desconhecido. Há a falácia de que é possível ver a luz – luz sem qualquer acepção religiosa -. Naturalmente, me refiro à luz de conhecer, fundamentalmente a si próprio, mas essas luzes são todas ilusórias. São encenações mentais que criamos para que tenhamos a impressão de que há controle, há no que se basear, há porto seguro, mas não há. No entanto, entender que não há certeza nem o pensamento único verdadeiro não deve causar aflição. Devemos aceitar, entender e buscar agir reconhecendo a natureza da vida e a nossa própria natureza. É mentalmente cômodo e reconfortante ter leis próprias entalhadas, ter máximas, sejam elas apreendidas em filmes da Disney ou através da filosofia alemã. Fazer uso de muletas mentais que só mostram uma face de algo multifacetado é realmente tentador. Eu era cego e agora enxergo a minha cegueira.


janeiro 1, 2014

Aprecio o drama enquanto arte
Luz e sombra
Grandes tragédias
Mentes perturbadas
A escuridão do coração humano

Contudo, vivo isso
Não consigo estar apenas de passagem
Me importo com tudo
Com o mar de impaciência e incerteza
Com a certeza de que se está sempre só
Com a verdade que surge no peito vez ou outra
Com a verdade de que tudo é tão fugaz
Que nunca haverá estabilidade
Que a constância é a inadaptação
Que tudo é estranhamento
Que sofisticamos o bestial
Mas o bestial continua bestial

Vive-se numa ilusão de que procuramos o ideal
Mas queremos mesmo é chafurdar no lixo
E não há virtude que resista ao tempo
“Oh admirável mundo novo que encerra criaturas tais”
Entenda-se mundo novo como aquele depois do salto da racionalidade
Osso, arma e bomba

 


Meu all star preto

julho 10, 2013

No começo de 2004, com ainda 14 anos incompletos (só completados em julho), descobri o heavy metal, mais especificamente o Iron Maiden, com o disco Somewhere in Time, que até já analisei música a música anteriormente neste canto abandonado de rascunhos que é meu blog pessoal (já que ninguém mais lê blogs mesmo não há motivo para escrever neles). Hoje, quase 10 anos depois ainda continuo apreciando consideravelmente o estilo musical (apesar de ter acrescentado diversos outros gêneros ao meu gosto), mas o principal aspecto a ser analisado é o porquê daquela banda e daquele gênero terem me arrebatado tanto. Ocorreu uma identificação imediata: não é popular no sentido de apreciado e aceito pela maioria (assim como eu era e ainda sou em certa medida), tem o que chamo de “pulso vital” bastante forte, é uma catarse musical onde é possível despejar frustrações e sentir uma estranha forma de justiça através da música.

Na adolescência me sentia incompreendido e sem capacidade de ser sociável e muito menos atrativo para alguma garota. Sentia uma certa ojeriza por quem eu considera como algozes e nutria um forte sentimento de pureza e elevação, seja ela na ordem das relações interpessoais quanto na apreciação artística. Ouvir música é algo especial, algo ritualizado que representa bastante da sua personalidade. Cortejar (pelo termo já dá para entender o sentido que empregava na coisa) a mulher amada deve ser algo sublime e a figura amada deve ser igualmente sublime, fazendo uso de todos os lugares comuns clássicos do envolvimento amoroso. O heavy metal me dava forças quando eu me sentia fraco e sem coragem de procurar me aproximar da garota que eu gostava, quando eu me sentia injustiçado e começava a ter autopiedade o heavy metal me compelia a não ceder e ser engolido pelas circunstâncias desfavoráveis, ele me ajudou a me recusar a ser um fracasso e a conseguir na força de riffs super distorcidos e pesados e chutes na porta metafóricos negar tudo aquilo que era desenhado para mim.

Hoje lembro com nostalgia do meu all star preto e da minha camisa do Iron Maiden (Piece of Mind!). Usar estas roupas me dava um grande ânimo e servia para mostrar que eu estava vivo, que sentia, pulsava, tinha vontades e desejos. Aquilo tudo ainda representa a minha essência, jamais será esquecido e continuará sempre sendo adotado como máxima. Obrigado Steve, Adrian, Dave, Bruce e Nicko, obrigado Ozzy, Dream Theater, Megadeth, Whitesnake. Não posso ser forte todo o tempo, por isso sempre precisarei de vocês. Enquanto existirem almas perturbadas, o heavy metal existirá.


Questionamento sobre o ano vindouro

janeiro 1, 2013

Não tenho motivos para comemorar o começo de 2013. Comemorações, na minha avaliação, totalmente subjetiva e idiossincrática, são justas quando relacionadas à conquistas definitivas, assim, comemorações plenas seriam realmente raras. Acho um despautério o primeiro dia do ano ser um dia de não fazer nada, um convite à leniência nos 364 (ou 365, dependendo) dias restantes.

A chama do desejo de realização, o senso de realização do legado da raça humana, queima intensamente em mim e recusa-se a comemorar e considerar que tudo irá se resolver sem maiores dificuldades ou preocupações. Recuso-me  a aceitar o que já está dado e tenho grande pressa de realizar e produzir.

A questão remonta um dilema humano primordial: Ter ciência da própria morte. A morte põe um prazo na nossa existência e nas nossas possibilidades, é a morte que nos impele ao desenvolvimento e a busca pelo auto-melhoramento.  Se de um lado a ciência da morte dá o empurrão necessário para que não paremos na absoluta indolência, ela também é angustiante. Não desejamos a morte, logicamente, e, se enganar a morte biologicamente é impossível, há contudo, outras formas de se tornar imortal.

A maneira de se tornar “imortal” é deixar uma marca indelével da passagem pela Terra com suas realizações, e por isto a minha ânsia devoradora, já que o nível de lembrança é proporcional, a menos idealmente, ao nível de excelência e relevância do que se produz. A minha escolha para tentar deixar uma marca que não pode ser apagada foi através da arte, mais especificamente através da fotografia.

Continuarei buscando a “imortalidade”, sem confundir esta busca com algo megalomaníaco ou arrogante, mas como uma forma de marcar a ferro nas memórias posteriores os meus gostos, inquietações, angústias, interpretações e outras diversas especificidades do indivíduo humano. Este é o 2013 que  buscarei, não desejarei. É o 2013 sem idealizações tolas ou fatalismos limitadores.


Sofrimento e redenção – Bahia 1 x 0 Vitória da Conquista – 29-04-2012

abril 29, 2012

Seguindo o clichê futebolístico, haja coração! No importantíssimo triunfo do Bahia, no jogo de volta das semifinais do Campeonato Baiano foi na base da raça e do coração que o Bahia assegurou sua classificação para enfrentar, além do arquirrival Vitória, todo o peso de uma década sem conquistas domésticas.

Desde ontem eu, que não tinha ido a nenhum jogo antes desta edição do Baianão, senti a obrigação de ir apoiar meu tricolor bem de perto. Não é a primeira vez que me sinto chamado por algo que está no ar, algo que não tem explicação. Recebi este chamado também nos acessos (2007 e 2010), assim como em outros momentos importantes para o bicampeão brasileiro.

Pois bem, me preparei e fui viver emoções extremamente intensas lá no Pituaçu (PituAÇO para os íntimos). Desde o começo da partida, como era de se esperar, o Bahia tomou a iniciativa, pois precisava reverter com um triunfo simples o resultado do primeiro jogo da semifinal, em que o Bahia foi derrotado por 1 x 0. Algumas peças do time não funcionavam, apesar da clara disposição que tomou conta de todos os jogadores, contudo, Gerley, lateral-esquerdo, e Morais, o 10, erraram muito e dificultaram a partida. Pura pressão e nada de gol, o Conquista veio só para se defender e nisto, o primeiro tempo vai embora.

No intervalo começo a me preocupar, pois o time demonstrava uma certa dose de nervosismo e aquele filme de martelar, martelar e não sair do zero é mais do que batido. Contudo, procurava me acalmar, fechar os olhos e procurar a resposta mentalmente de como seria o resultado do jogo, e a ideia de triunfo nunca saiu da cabeça. E então começa o segundo tempo com a mesma história do primeiro, Bahia em cima, mas dando mais espaços para contra-ataques. O desespero começou a bater.

E este desespero só aumentou com a claríssima chance de gol que o Vitória da Conquista teve, cara a cara com Lomba, com dois chutes seguidos a gol, sendo que um atingiu a trave tricolor. Paralisante e assustador! Mas procurei me acalmar novamente, e sabia que seríamos vitoriosos novamente e já comecei a pensar em como seria minha reação ao comemorar o gol que selaria a vaga na final.

O tempo passava, uma infinidade de escanteios para o Bahia, pressão total, Lomba abandona o gol para tentar marcar em mais uma bola chuveirada na área. Parecia que tudo estava perdido quando já nos aproximávamos do final da partida, até que, em mais um escanteio, o zagueiro-artilheiro Donato veio salvar a lavoura. Gol! Tentei me precaver antes, mas, como em diversas situações em jogos do Bahia, chorei de intensa alegria, ainda mais esta, que veio em contraponto a muito sofrimento! Depois daí, só comemoração.

A torcida, vale ressaltar, apoiou o time o tempo todo, sem deixar de acreditar. Estamos na final para quebrar escritas dos últimos anos, mas eu sei que a mística do tricolor da Boa Terra é maior e prevalecerá!


Meus 21 anos

abril 21, 2012

Desalento e desencanto. A passagem definitiva para a vida adulta é constituída basicamente destas duas coisas. Não tenho mais ídolos, nenhum disco novo de nenhuma banda de rock faz a minha cabeça, não há mais a emoção do amor juvenil. Antigamente, solos de guitarra distorcida me faziam ter verdadeiras experiências estéticas, em que sentia que aquele trecho da música comunicava sem dizer uma única palavra, mas tudo hoje é envolvido por uma espessa nuvem de cansaço, sono e impaciência.

Não rio do que eu ria antes, não me emociono com as mesmas coisas e sem dúvida não me emociono com a mesma intensidade. Não vivo mais epopeias e grandes dramas, no máximo historietas de 30 segundos, no formato comercial. Não gosto mais de filmes grandiosos, com grandes batalhas épicas, pois só filmes de pessoas conversando me satisfazem hoje. Substituí confrontos de espadas e flechadas por relatos amargos da vida, raramente esperançosos.

Também deixei de enfatizar o prazer ao escolher o que fazer. Funcionalidade e retorno. Para quê escrever coisas meramente idiossincráticas num blog pessoal, tocar Heavy Metal na Bahia dentro do quarto e fotografar para o meu próprio gosto apenas? Quero mais é deixar a guitarra encostada na parede e fotografar margarina e pasta de dente. Até mesmo o prazer deve ser racionalizado. 30 minutos de conversa com o amigo, uma hora para a namorada, 20 minutos para jogar emulador de Super Nintendo. É  a cota de sanidade posta numa fôrma, com as arestas aparadas, bem encaixada na agenda e cada vez mais desanimadora.


Criança no Carnaval da Bahia – 2012

fevereiro 18, 2012

Criança no Carnaval da Bahia - 2012

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