Frustração
Por muito e muito tempo meu ideal de vida era ser um grande guitarrista. Comprei milhões de revistas, perdi milhares de horas repetindo escalas, treinando palhetada alternada, querendo repetir com perfeição os solos dos heróis da guitarra… Iniciei a tocar com 11 anos, no ano de 2002 (faço aniversário em julho), e até o ano de 2007, a música era o que me motivava a seguir, e sem dúvida, era o que tirava as amarras da vida cotidiana medíocre e me levava para um idílio fantasioso lindo.
Pois bem, as obrigações da vida fizeram com que o devaneio pueril fosse sendo dissipado lentamente. Não tinha mais tempo para treinar, o máximo que conseguia era manter o nível técnico, não podia mais me imaginar como Adrian Smith ou Joe Satriani. Não me importava mais com isso, pois passar no vestibular e ser uma pessoa “séria” me parecia ser mais interessante no momento, mas não é bem assim de forma constante, esquecer algo tão representativo.
Ao ver uma banda se apresentando ao vivo o coração aperta. Gostaria de estar lá, imitar Raul, Steve Harris, Angus Young, Zakk Wylde, enfim, ser um rocker genuíno, dar chute em porta, louvar o que há de belo na vida. Trocaria instantaneamente esse mar de citações, referências e egos por uma sequência melodiosa de notas executadas por mim. Que belo é o amor pela música…
O que nos traz uma viagem
Bem, não só de textos chatos, amargos e cheios de crítica se faz este blog! Trago aqui um texto que tem como tema os modos de viajar e seus significados, escrito por Giulia, meu amorzão, meu bebê, minha namorada! O texto recebeu nota máxima na sua avaliação e eu também o avaliei como muito bom, é claro!
O que nos traz uma viagem
Viajar… um simples ato de transição que pode nos trazer uma grande experiência de vida. Às vezes nem é só preciso transitar, mas também imaginar. Imaginar-se voando por entre suas idéias mesmo que elas não tenham asas. Só de olhar e admirar, uma viagem já está em andamento. Olhar duas crianças e nelas imaginar seus próprios filhos já é uma viagem. Admirar uma paisagem, mesmo que por foto, também é uma viagem. Mas por meio de tantos modos de viajar, qual é o verdadeiro sentido em viajar?
O verdadeiro sentido que nos leva a isso são os sonhos, a motivação, a curiosidade e todas as características humanas de querer aprender cada vez mais. Com certeza viajar nos traz um aprendizado e consequentemente uma nova experiência. Programar uma viagem é como estar aberto a novos conhecimentos, como é a experiência de conhecer um outro país, a pessoa nunca saberá o que está esperando por ela. Um desafio, uma mudança que trará uma eventual lição e descoberta. E aí é percebido que tudo se renova, modifica-se depois de uma viagem.
Sonhar também é um dos modos de viajar. Acreditar que um dia você pode ser feliz em tal lugar, tal situação… essa viagem é capaz de arquitetar uma nova vida. Viajar enquanto se sonha, sonhar enquanto se viaja, tudo está relacionado. Para viajar não é só necessário pegar um avião. Para viajar basta apenas ter uma mente aberta e com grande capacidade de imaginação.
A mudança é positiva quando uma viagem se completa. No final, só colhemos os frutos maduros que plantamos por durante toda a viagem. Viajando em um poema, uma canção, em um carro ou em um sonho. Por isso adapta-te! E seja feliz na viagem em que sua vida é o trem e você é o passageiro a descobrir novos e belos caminhos dela.
Análise de Bastardos Inglórios – Perverso, cômico e genial
Finalmente a espera terminou! Pude assistir hoje Bastardos Inglórios, peguei a primeira sessão do dia (teoricamente a segunda de todas, pois a pré-estréia ocorreu ontem) e aguardei. Demora, milhões de trailers e até que enfim, começa!
1941, França ocupada pelos nazistas, o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) visita uma fazenda à busca de judeus, ele é conhecido como Caçador de Judeus. A família de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), que lá estava escondida, é descoberta e assassinada, e somente ela sobrevive, para depois buscar vingança. Um grupamento chamado Bastardos Inglórios tem como missão apenas matar o maior número de nazistas possível. O grupo é formado por soldados judeus e é liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido também como O apache, pois, além de ser descendente de índios, nas instruções iniciais para seus comandados ele estabelece uma meta: Cada um deve trazer 100 escalpos de nazistas para ele.
Com isto posto, Tarantino monta um filme perverso, cômico e recheado da mais pura arte cinematográfica. Todos os elementos tradicionais dos seus filmes estão lá: Referências ao gênero cinematográfico; diálogos extensos e inteligentes; trilha sonora magnífica; cenas de extrema violência; abordagem pop, divertida e incomum. Posso estar ainda extasiado pelo pouco tempo que se deu da minha apreciação para a análise, mas pessoalmente, este filme teve um impacto de agrado similar ou superior para mim em relação à Pulp Fiction (1994), até então, meu filme preferido do diretor.
O diretor apresenta um certo amadurecimento com esta última obra, a narrativa flui perfeitamente, mesmo com os inúmeros flashbacks explicativos e seu humor, mesmo extremamente politicamente incorreto, está muito aguçado. Atenção para as cenas com Hitler(Martin Wuttke), que está muito caricato, para a cena dos Bastardos tentando falar italiano na estréia do novo filme de Goebbels (Sylvester Groth), e sem dúvida todas as cenas do Coronel Hans Landa. O ator Christoph Waltz rouba a cena de fato, não duvido de indicações e premiações diversas a ele.
Não esperem coerência com os acontecimentos históricos, porém é muito divertido imaginar a história de uma maneira alternativa. É um filme com a marca de Tarantino. Não há um grande questionamento, e sim um grande entretenimento, o que não quer dizer que isto signifique um demérito, pois não somente de filmes cult se faz uma boa apreciação de cinema, caso contrário Star Wars e Jurassic Park nada seriam além de obras montadas visando a alienação em relação aos problemas sociais para a manutenção do modo de produção capitalista. Besteira. Há fantasia e diversão de altíssima qualidade.
Realmente Tarantino é um mestre em criar cenas memoráveis. Certamente o ataque histérico de Hitler (“Nein ,nein, nein, nein, nein!”), o Urso Judeu (Eli Roth) e seu modo de “cuidar” dos inimigos, as cenas dos escalpelamentos, a “lembrança” que os Bastardos deixam nos sobreviventes serão lembrados assim como acontece em todos os seu filmes. Há momentos de tensão, angústia e dúvida, que fizeram com que eu realmente entrasse na experiência estética de um cinema real, pensante, intrigante, bizarro.
1944, Soshanna Dreyfus, adotando um nome falso, agora é dona de um cinema, e conhece o soldado Fredrick Zoller (Daniel Brühl, o protagonista de Adeus Lênin!), herói de guerra, que pelos seus feitos estrela um filme-propaganda do Terceiro Reich. Por estar interessado na jovem francesa consegue persuadir Goebbels a alterar o local da estréia do filme para o cinema de Soshanna, e isto desencadeia o plano dela para vingar-se, já que todo o alto comando nazista estará presente, inclusive Hitler. Os Bastardos Inglórios atuarão na Operação Kino, que tem como objetivo, eliminar os líderes alemães nesta mesma estréia. Nisto o problema se desencadeia e irá encaminhar para um desfecho, com o perdão do clichê, surpreendente.
A espera desde À Prova de Morte (2007), então, mostrou-se recompensadora e toda minha expectativa também foi válida, pois este era o filme pelo qual mais aguardava no ano. Aguardo agora pelo lançamento do DVD com os extras, já que 40 minutos da película foram retirados pelo próprio Tarantino. Sinceramente o que me desagradou foi o fato de muitos personagens interessantíssimos terem sido sub-aproveitados e senti um desejo de que o filme durasse mais, porém isto é pequeno diante do belo trabalho realizado e do ótimo entretenimento que ele proporciona.
Como diria nosso Gregório de Mattos:
“Que é melhor neste mundo o mar de enganos. Ser louco co’s demais, que ser sisudo!“
Não importa o sotaque, e sim o jeito de dizer
Pois bem, volta e meia retorno aqui para ser ácido, amargo ou crítico. Mais outra coisa me irrita pela sua evidente pecha hermética e pedante, que é o afamado meio acadêmico e seus mestres, doutores, pós-doutores e deuses.
Olhe só, cobra-se objetividade ao graduando, mas ao ser objetivo se é punido, pois não basta atribuir sentenças apenas e sim discorrer efetivamente acerca do percurso analítico sobre o qual o referido autor debruçou-se e formulou de fato certas afirmativas, estas porém, evidentemente questionáveis de acordo com o caráter dialógico de todas as ciências humanas, também ciente, logicamente, de todo o arcabouço teórico fornecido por toda a tradição hermenêutica-sociológica-ontológica cultivada por milênios por inúmeros preguiçosos estudiosos, tradição esta que deve ser reiterada incessantemente ad nauseam, para que por fim, tenhamos uma fabulosa e magnifíca verborragia infinita, inútil, estática e empoeirada num canto qualquer de uma biblioteca.
Ps.: Não se trata de uma crítica generalizada, pois há sem dúvida um grande valor na pesquisa e no conhecimento, só se trata de um protesto ao delírios lisérgicos ilógicos acadêmicos.
A verdade bem vestida e bem cozida sobre A Verdade Nua e Crua
Ontem, sexta-feira, aproveitando meu pouco tempo disponível para o ócio, fui ao cinema, diga-se de passagem sem nenhuma pretensão cinematográfica, pois o filme que mais aguardo só irá ser lançado no Brasil no dia 9 deste mês, que é Bastardos Inglórios, novo filme de Tarantino. Ainda bem que fui em companhia da minha namorada, pois ao me deparar com o longa A Verdade Nua e Crua entrei num estado profundo de constrangimento e tédio, mas não um dos maiores, com certeza.
Um mar de clichês: mulheres sonhadoras e bobas; homens irracionais e simiescos; happy end numa cena panorâmica. Para tentar fugir um pouco das comédias românticas convencionais o filme dirigido por Robert Luketic aposta em palavrões e cenas sugestivas em demasia, mas no final, como era de se esperar, cai no romance néscio sem qualquer inovação. No roteiro, trata-se de uma tentativa de extrair algo de um gênero completamente gasto, o que torna cansativa e sonolenta a experiência de assistir à película.
Abby Richter, personagem de Katherine Heigl, é uma produtora de TV frustrada emocionalmente, até que acidentalmente assiste a um programa intitulado A Verdade Nua e Crua, em que o apresentador Mike Chadway, vivido por Gerard Butler (Leonidas, Rei de Esparta do épico 300), trata de destruir os devaneios femininos de encontrar o companheiro ideal, Abby revoltada liga para ele no programa e entra numa discussão. Posteriormente Mike, é contratado pela emissora de Abby e os conflitos continuam, trazendo óbvias cenas de guerra entre os sexos.
Após uma enxurrada de cenas tediosas supostamente divertidas, Abby encontra o homem ideal, e Mike a ajuda na conquista e como era evidente, ele acaba caindo de amores por ela neste processo e tudo descamba para o banal e já esperado. Tudo soa absurdo e abrupto, mudanças emocionais imediatas, acontecimentos atropelados num clima frenético picotado para desembocar (de fato) no beijo final do casal num balão de ar transmitido ao vivo pela TV. Contudo é possível apreciar a obra ciente das limitações deste caça-níqueis hollywoodiano.
Aforismos
Musa, narra-me as iniquidades do mundo!
A racionalidade é um peso. Qualquer hierarquia traz injustiças. Ser idiota é não ser idiota. O desejo de distinção humana é o caminho para a padronização, todos mentem, todos criticam sem possibilidade de criticar. O caminho dos solitários é o futuro, e eles serão alimentados pelo bico das águias. Por trás de toda grande fortuna há um grande crime. Do vinho da vaidade e do banquete da inveja todos se alimentarão. Antes andar com os loucos do que ser sisudo. A única constância é a da inconstância. Não importa o sotaque e sim o jeito de dizer. Meu filho é isso aí. Ou não.
Apocalypse Now – O caos, a loucura e o horror.

Estou numa fase cinéfila, e nisso, aproveitando o período das férias, tirei meus dias de ócio para assistir a filmes diversos. Já gostava muito de Francis Ford Coppola, afeição motivada pela trilogia O Poderoso Chefão, especialmente as duas primeiras películas, que atingem o patamar de perfeição para mim. Nisto, busquei outro clássico do diretor: Apocalypse Now. Lançado originalmente em 1979, ganhou uma versão estendida em 2001, com 50 minutos a mais, minutos retirados na época do lançamento original devido à preocupação do diretor com o sucesso comercial do filme – a produção de Apocalypse Now foi extremamente onerosa -. Rebatizada de Apocalypse Now Redux – revisitado, em latim-, foi esta a obra que pude apreciar.
O enredo trata da busca do desertor Coronel Kurtz (Marlon Brando) pelo Capitão Willard (Martin Sheen). Supostamente o coronel teria enlouquecido e estaria no comando de um exército de fanáticos no Camboja. O início já mostra a mente perturbada do Capitão Willard, e no decorrer da narrativa a sensação crescente de loucura, caos e horror é reforçada. Aí reside o grande questionamento da obra: A loucura generalizada de uma guerra sem propósitos. O filme entremeia este questionamento com outros aspectos, como a crítica política especificamente sobre a Guerra do Vietnã, os hiperestímulos relacionados ao sexo e o imperialismo europeu na Ásia.
Nas cenas adicionadas podemos ver o destino das coelhinhas da Playboy, presas num acampamento americano sem comando, e todo o lado psicológico que esta exposição pode causar,ainda há a cena do acampamento francês no Camboja, em que toca-se a questão do imperialismo europeu e todos os ranços entre as próprias nações dominantes e mais uma vez o lado feminino, na viúva francesa solitária. Nas cenas incluídas, o debate causado pelo filme se torna mais abrangente, apesar de deixar a narrativa mais pesada e lenta.
Nas cenas originais, destaco a clássica cena do ataque de helicópteros a uma vila vietnamita ao som de Marcha das Valquírias, além da cena do trajeto de barco no rio ambientada com Satisfaction, dos Rolling Stones e o sacrifício final, em que um boi foi verdadeiramente sacrificado, em outra cena controversa de Francis Ford Coppola, que já havia exposto uma cabeça de cavalo real no primeiro Poderoso Chefão. A loucura é marcante em todo o filme, e a iluminação alaranjada, realça ainda mais a idéia de calor enlouquecedor e desconforto. Por fim, difícil é distinguir quem, de fato é louco e assassino. Atenção para a atuação de Robert Duvall, interpretando o Tenente-Coronel Kilgore e a pequena participação de Harrison Ford, como o Coronel Lucas.
Todos estes componentes formam mais um filme memorável para a carreira de Coppola, e uma ousada provocação à cultura belicista estadunidense, num trabalho sonoro, visual e psicológico impactante e perturbador que põe em xeque a validade de uma guerra alheia, ou ainda de uma guerra, qualquer que seja, e os efeitos devastadores que ela pode ocasionar, nos que se relacionam com o conflito, diretamente e indiretamente. Trilha sonora perfeita, fotografia perfeita, ângulos incomuns e inovadores, cenas de guerra convincentes numa produção primorosa. Um clássico.
Você não tem o direito de me julgar. Tem o direito de me matar, mas não de me julgar.”
Off the Wall – Ascensão do astro

Aguardei um pouco para que todo o furor midiático sobre Michael Jackson amainasse para que pudesse escrever algo mais sóbrio. Com a notícia da morte do cantor, um bombardeamento massivo exagerado ocorreu, além da já debatida à exaustão ”santificação pós-morte” e do esmiuçamento cruel da vida pessoal do músico, porém, consegui extrair algo de bom ao entrar em contato com o videoclipe da música Rock with You. O estilo da música me atraiu muito pela sua pegada soul, de muito bom gosto e arranjo inspirado. Daí fui buscar o disco de onde está incluída esta música. Encontrei o Off The Wall, lançado em 1979, disco imediatamente anterior ao mega-sucesso Thriller – o último, considerado o disco mais vendido de todos, com estimativas de 106 milhões de cópias vendidas-. O Off The Wall é o primeiro álbum da fase adulta de Michael e a sua estréia como compositor. O disco o levou para o estrelato com suas 11 milhões de cópias vendidas, além de ter alcançado o topo das paradas norte-americanas com duas músicas: Don’t Stop ’til You Get Enough e Rock With You – fato inédito então para um artista negro-.
Musicalmente, a mescla do funk, disco music, soul e soft rock traz uma sonoridade ímpar e espetacular nas canções. A faixa-título possui um refrão belíssimo, de extremo bom gosto. Don’t Stop ’til You Get Enough, faixa de abertura, tem um groove muito dançante, e é bem conhecida pelo público brasileiro, pois seu solo de teclado é o tema de abertura do programa Video Show da Rede Globo. Destaco também Get on the Floor – funk na sua melhor forma- e Burn This Disco Out, que é bem divertida. O disco ainda conta com composições de Stevie Wonder – I Can’t Help It - e Paul McCartney -Girlfriend -. Muito da imagem do astro pop foi cunhada nesta fase, e este disco, para mim o seu auge musical por ter mais afeição pelo funk e pelo soul do que pelo pop, preparou o caminho para o sucesso mundial sem precedentes que se deu com o lançamento do disco Thriller, além de ter conseguido dissociar a imagem de cantor infantil e ter ultrapassado já citadas barreiras musicais e sociais. Ouça este disco “and just enjoy yourself”!




