Acefalia generalizada.

De que forma se pode dedicar uma parcela da vida para algo totalmente ilógico e alheio? Para quê instigar animosidade e segregar os que possuem preferência distinta, que por convenção são “rivais”? Todas estas tristes características são inerentes à prática do futebol e essencialmente integrantes aos adeptos deste esporte. Esporte pelo menos a priori, já que, efetivamente, transfigura-se em mais uma indústria da adoração do capital, desprovida de valor simbólico real, emanado, e sim criado e incutido.
Inúmeras questões são explicitadas, julgadas e mimetizadas neste vício entranhado na alma brasileira, ao ponto de representar, na sua adoção no cotidiano, algo inerente ao espírito nacional – conceito que nego acima dessa questão -, e qualquer desvio desse padrão, é visto com estranheza e desdém, um aspecto cultural sem motivo, inculcado por instituições dominantes descompromissadas com o florescimento da população. Como toda forma de expressão social, evidencia quadros em menor escala de toda uma podridão moral, que está amalgamada à resultante social errônea causada por práticas autodestrutivas, de acumulação, que norteiam esta triste organização falida, a qual nomeamos sociedade.
Não se deve culpar uma simples prática esportiva, um mero entretenimento – apesar de ser um entretenimento de péssima qualidade, pois na melhor das hipóteses só há um terço de chance de sair contente -, nem os pobres apaixonados, desprovidos de razão, que se esvaem neste torpor acéfalo e lobotomizante. Porém os agentes de tal absurdo (de capitalizar um esporte), fomentadores de ódio, alienação e dor, devem ser extirpados como um cisto canceroso, pois estes sim, são dignos de asco, pois parasitam a população e impõem falsas doutrinas nos que são cooptados pelo lucrativo e imundo negócio do futebol, premiador da miséria, aceitação irracional. Circus.
O entretenimento saudável e a liberação controlada dos nossos instintos de competição e ferocidade são aconselháveis, porém “fundamentalizar” uma distração é altamente nocivo e potencialmente inútil, aqueles que buscam justamente este tipo de postura belicosa são ainda mais prejudiciais. Tragam de volta o sentido original e lúdico e estará finda toda esta lógica cruel hoje instalada.
