Análise do filme “O Leitor”

Ontem, quinta-feira de Carnaval, assisti ao filme “O Leitor”, do diretor Stephen Daldry, filme indicado para 5 premiações do Oscar : Melhor filme (não deve levar); Melhor atriz com Kate Winslet (este deve levar); Melhor diretor; Melhor roteiro adaptado, por ser baseado num livro homônimo; Melhor fotografia. Sinceramente só o de atriz tem minha aposta, mas se o normal e cansativo O Curioso Caso de Benjamin Button recebeu 13 indicações, é possível.
Michael Berg (interpretado, quando jovem, por David Kross, e adulto, pelo infeliz neste trabalho, Ralph Fiennes, pois manteve a mesma expressão do início ao fim) é um estudante de 15 anos, membro de uma família tradicionalmente estóica alemã, tão cheia de virtudes e valores morais. No bonde, no trajeto de retorno ao lar, passa mal, salta do bonde e é ajudado por uma mulher desconhecida que o encaminha para casa. Lá é diagnosticada uma doença que prende Michael em casa por três meses. Terminada essa reclusão, ele resolve agradecer à mulher que o ajudou : Hanna Schmidt, personagem na casa dos 30 anos, interpretada lindamente por Kate Winslet (Alias, qual o motivo de toda personagem feminina alemã ser chamada de Hanna ou Gertrudes?). Em pouco tempo iniciam um tórrido romance, de iniciação dupla : sexual de Michael, e literária de Hanna, já que Michael lia para ela nos encontros, pelo fato não revelado inicialmente da incapacidade de ler dela.
De início, o filme é bem interessante, sem pudores e exposição de inúmeras questões. Certamente a nudez da bela Kate Winslet, que anda contramão da magreza extrema, é um grande atrativo, mas sua interpretação ainda é mais, o que justifica sua indicação ao prêmio mais famoso do cinema. O uso do sotaque alemão e a criação de uma personalidade confusa e imprevisível para Hanna foi digna da sua capacidade. Espero que dessa vez leve a estatueta, pois já foi indicada anteriormente cinco vezes, sem nenhuma premiação.
O roteiro peca por perder coerência no meio para o final, o limite entre criminalidade e apenas cumprir ordens fica apenas subentendido. O porquê da personalidade arredia e contraditória de Hanna não é revelada, fiquei com a impressão de que o analfabetismo dela é uma das razões. A relação de Michael com sua filha é apenas vista como confusa e mais nada. Poderia ser suprimida da narrativa,e sobre a Segunda Guerra Mundial nada é tocado, apenas uma visita a um campo de concentração vazio. Nem possíveis cenas do “Third Reich” foram sequer sugeridas. Faltou abordar o conflito familiar. A cena do julgamento tem um tom demasiado romântico, pois o acaso põe os dois próximos novamente. O final da visita ao túmulo também é desnecessário, nada acrescenta.
No fim, a história é rasa, sem fundamentação. Lançaram vários fios de debate, mas faltou o tear. Uma casa feita na areia. A idéia que é muito boa não foi bem aproveitada. Uma pena, poderia ser um filme grandioso,porém faltou análise histórica e psicológica mais profunda, o crescimento do enredo seria notório. Mas tudo bem, perto dos blockbusters é de bom tamanho. É um bom entretenimento.

4 Respostas
Subscreva aos comentários comRSS.
“Certamente a nudez da bela Kate Winslet, que anda contramão da magreza extrema” No livro a personagem é um pouco gorda. Ainda bem que encaixaram perfeitamente a Hanna da ficção com Kate Winslet, a descrição da personagem é praticamente identica a atriz.
Que bom então né? Ficou muito boa a atuação dela, tanto que valeu o Oscar (apesar de não ser melhor do que a atuação em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças)
quê??? Kate Winslet gorda????
meudeus… onde esse mundo vai parar..
(relaxe, eu entendi o que vc quis dizer)
Não-seca. É isso! shaushasuh (O que é muito bom).