Back in the Village (2)
Ok, me ausentei por um longo tempo novamente. Mais uma vez os estudos me fizeram deixar o blog em segundo plano ( o blog e o resto da vida), mas tudo bem, sobrevivi ao primeiro semestre e agora oficialmente não sou mais calouro (pelo menos um semi-calouro). Se antes havia temor ou espanto diante da vida acadêmica, ao menos já aceitei o modo com o qual ela se configura. Normal se assustar diante do desconhecido, fazendo uma analogia com o Iron, seria o “medo do escuro”. De lições posso destacar que:
Não adianta brigar com professor, ele é servidor público, não vai sair de lá nunca (ainda bem que não briguei, nem com professor nem com ninguém)
Verborragia é uma boa arma nos seus textos (vomite palavras sem parar)
Se vire (auto-explicativa essa)
Ps.:Obviamente é só um post para dizer que postei algo, breve prepararei algo mais interessante (quero postar algo sobre Apocalypse Now, mas não dou certeza!)
Salute!
Clássicos – Blood Sugar Sex Magik (1991)
Após alguns posts obscuros e introspectivos, inicio uma sequência de análises, apesar de soarem muito mais como homenagens, sobre cinco álbuns clássicos para mim, que foram determinantes para minha formação como ouvinte, ao servir como escapismo puro ou uma reflexão pessoal, e músico, no avanço técnico e na própria formação de uma carga de influências e percepção artística.

Em 1991, o Red Hot Chili Peppers lançou o álbum Blood Sugar Sex Magik, um dos seus mais célebres discos, e o que demonstra, para mim, o ápice na criatividade, swing e pegada rocker do mescla funk/rock do grupo. O trabalho é o segundo com a formação Kieds-Frusciante-Flea-Smith (precedido pelo Mother’s Milk), e apresenta uma ótima coesão entre os integrantes na execução e na composição, tanto que produziram vários clássicos em uma só compilação, como Under the Bridge (balada eterna da banda); Suck my Kiss (atitude rocker hedonista visceral); Give it Away (clássico, swing funkeado puro); a sexy faixa título Blood Sugar Sex Magik e Breaking the Girl (outra ótima balada), além de outras fantásticas composições menos citadas como If You Have to Ask, The Power of Equality, Mellowship in B Major e Sir Psycho Sexy, para ficar com quatro apenas, todas antológicas e perfeitas ao exemplificar a idéia geral do álbum, música descompromissada, agradável, dançante e de alta qualidade.
Frusciante, no processo de gravação foi muito feliz ao registrar belíssimos timbres de Stratocaster, além das bases seguras e solos coerentes. Flea, como habitual, fez uso da sua grande capacidade musical como baixista em grooves em slap e em condução e como trumpetista, seu primeiro instrumento (atentem-se ao solo de trumpete em Apache Rose Peacock). Anthony Kieds está em boa forma e Chad Smith segura muito bem a sensacional cozinha das pimentas vermelhas,quentes e ardidas. A gravação como um todo está bem crua, o que particulamente me agrada bastante, o que dá a sensação de gravação ao vivo. Essencial para quem quer conhecer e apreciar funk/rock.

Acefalia generalizada.

De que forma se pode dedicar uma parcela da vida para algo totalmente ilógico e alheio? Para quê instigar animosidade e segregar os que possuem preferência distinta, que por convenção são “rivais”? Todas estas tristes características são inerentes à prática do futebol e essencialmente integrantes aos adeptos deste esporte. Esporte pelo menos a priori, já que, efetivamente, transfigura-se em mais uma indústria da adoração do capital, desprovida de valor simbólico real, emanado, e sim criado e incutido.
Inúmeras questões são explicitadas, julgadas e mimetizadas neste vício entranhado na alma brasileira, ao ponto de representar, na sua adoção no cotidiano, algo inerente ao espírito nacional – conceito que nego acima dessa questão -, e qualquer desvio desse padrão, é visto com estranheza e desdém, um aspecto cultural sem motivo, inculcado por instituições dominantes descompromissadas com o florescimento da população. Como toda forma de expressão social, evidencia quadros em menor escala de toda uma podridão moral, que está amalgamada à resultante social errônea causada por práticas autodestrutivas, de acumulação, que norteiam esta triste organização falida, a qual nomeamos sociedade.
Não se deve culpar uma simples prática esportiva, um mero entretenimento – apesar de ser um entretenimento de péssima qualidade, pois na melhor das hipóteses só há um terço de chance de sair contente -, nem os pobres apaixonados, desprovidos de razão, que se esvaem neste torpor acéfalo e lobotomizante. Porém os agentes de tal absurdo (de capitalizar um esporte), fomentadores de ódio, alienação e dor, devem ser extirpados como um cisto canceroso, pois estes sim, são dignos de asco, pois parasitam a população e impõem falsas doutrinas nos que são cooptados pelo lucrativo e imundo negócio do futebol, premiador da miséria, aceitação irracional. Circus.
O entretenimento saudável e a liberação controlada dos nossos instintos de competição e ferocidade são aconselháveis, porém “fundamentalizar” uma distração é altamente nocivo e potencialmente inútil, aqueles que buscam justamente este tipo de postura belicosa são ainda mais prejudiciais. Tragam de volta o sentido original e lúdico e estará finda toda esta lógica cruel hoje instalada.

Divagação interna.

Provavelmente não fui feito para o convívio humano. Pelo menos não esse convívio moderno das grandes cidades, cheio de choques forçados, metafóricos ou não, e a paradoxal sensação de desamparo em oposição à grande massa. A falta de individualidade é algo que me deixa altamente desconexo com o grande fluxo. Não pretendo me pintar como algo alheio, uma figura observadora e com maior discernimento, mas a imagem do observador da vida em oposição aos que vivem de fato é recorrente. A própria existência de um grupamento, como a cidade, já confronta minha idéia pessoal de individualidade, pois grupo ou organização alguma poderá expressar os meus anseios plenamente, se é que eu mesmo sou capaz de poder expressar minhas próprias aspirações, regozijos e descontentamentos nos limitados meios de externar que foram convencionados e na própria batalha interna anti-dogmática e flutuante entre tendências sobre o que poderei julgar como lógico, ou mesmo a não-lógica geral, que seja.
Imediatismo? Ainda assim morrerei. Independe agir de forma hedonista ou estóica. Não compreendo a grande vantagem na vida, a vantagem do senso-comum de que “o importante é ser feliz”, a não ser na perspectiva biológica – reprodução -, pois até no campo intrapessoal tenho conflitos, na relação interpessoal de qualquer nível o caos é mais evidente. Pausa. Agora poderei ser totalitário, por uma falsa premissa de intolerância da miríade de óticas. Compreendo, mas não aceito. Tentativa falha impositiva de resolução destas incongruências. Já é tarefa árdua demasiadamente buscar algum norte interno, tecnicamente impossível tentar o mesmo com outrem. Se há argumento na defesa da naturalidade desta não-possibilidade do intento, há conformismo e fatalismo também. A grande questão é visualizar apenas a ótica biológica, e avançando mais, compreender qualquer forma de negação do meramente racional como um estratagema genético. Maldito romantismo. Malditos genes.

1000 visitas
Sim, o título explica. Agora sou um Romário dos blogs, ou um Jimi Hendrix, ou Neil Armstrong. Emocionante.
Maiden! Maiden! Maiden!

Dedico este post à minha banda preferida, o Iron Maiden. Não será mais um dos milhões de históricos disponíveis numa pesquisa do Google, mas sim da minha relação pessoal com a expressão sonora do grupo.
[Flashback]
2004, Eduardo Santos Mafra, guri com cabelo para frente, 14 anos, que acaba de ser presenteado com sua guitarra – posteriormente batizada de Like a Pombo -. Ouve incessantemente Red Hot Chili Peppers enfurnado no seu quarto, onde esporadicamente produz alguns poeminhas romanescos piegas e, um dia antes da prova, se prepara para os exames insuportáveis da oitava série ( what porra is equação do segundo grau?). Seu vício musical pop/rock irrita profundamente as pessoas que convivem mais diretamente com ele, Seu tio Jacimário e Juca, headbangers de plantão, pois trabalham juntos na M.Laghus (www.mlaghus.com [ COMPREM CONTRABAIXOS!!!]). “Red Hot Chili Peppers, Charlie Brown Jr. e Raimundos são infâmias musicais para gostos musicais tão ortodoxos! Por isso, vamos apresentar Iron a ele, pois caso fique viciado novamente não será tão maléfico assim.” Nisso apresentam o álbum Somewhere in Time, lançado em 1986 com uma proposta futurista, influenciada pelo ícone pop cinematográfico Blade Runner. O estranhamento inicial é notório. Mas pensamentos como “Pra quê tanto solo e distorção?” e ”Oxe, música de mais de oito minutos?”, foram progressivamente sendo substituídos por “Zorra, Wasted Years esbagaça!”, ”CAUGHT SOMEWHERE IN TIIIIIIIIIIIMEEE!!! (voz no falsete)” e “Massa, vou usar Alexander the Great num trabalho de História!”. Além disso, há a questão musical técnica, o Iron me fez alcançar outro patamar como instrumentista, antes limitado a algumas técnicas funkeadas/pop, que também são úteis, mas sem horizontes em relação às possibilidades da guitarra. Depois da fantástica descoberta (para não cair no clichê), o álbum Fear of the Dark, o segundo a ser escutado por mim – ou ele, Eduardo aos 14, um tanto diferente mas o mesmo – foi apenas a consolidação do gosto por uma banda grandiosa, épica, teatral que foi essencial para aquela fasezinha chata mutante humana dos 14 aos 15.
Up the Irons!

Lobotomia coletiva

Mais uma tendência do senso-comum me irrita. Há uma guinada na indústria do entretenimento para o público adolescente. Uma festa para os grandes produtores. Os teenagers compram tudo relacionado à franquia amada sem pudor : camisas, revistas, materiais escolares, peças íntimas… Jonas Brothers, Harry Potter, Hannah Montana, High School Musical e o mais recente Crepúsculo exemplificam esta safra, safra bem-intencionada e comportada. Até aí tudo beleza, é a felicidade dos pais preocupados! Mas os valores passados nos filmes, músicas e livros direcionados são deprimentes, perigosos e altamente desestimulantes.
Os fenômenos juvenis seguem alguns padrões,algumas linhas-gerais : Ausência de atitudes “condenáveis” como violência, palavrões e falta de educação com os pais; amor idealizado, distante e etéreo (o máximo da realização terrena é um beijo no final, e não é o francês); o “herói”, a princípio, deve ser um desconhecido sem função da sociedade, mas adquire importância com algum dom magnífico que deve ser mantido em sigilo, seja fantasioso ou não (característica tal mais comum em narrativas). Isso tudo agrada aos pais que ficam tranquilos ao verem suas crianças com anéis de pureza e assistindo a filmes de vampiros bondosos.
O próprio termo “jovialidade” dá a noção de ímpeto contestador, da força de mudança e não-aceitação do já determinado. É essa a grande geração moderna, a geração superior sem erros? Rock cristão com anelzinho fresco de pureza? O rock é dionisíaco, como Raul já cantava! São seres medrosos atrás do MSN e de uma vida virtual, esperando uma carta de Hogwarts ou entrar para um colégio onde todos são cantores, onde gordinhos, negros, homossexuais, brancos, nerds e riquinhos se dão todos bem. Depois de inúmeros coquetéis molotov, queima de sutiãs, Woodstock ‘69, Contra-cultura, deparo-me com toda essa coerção moral imbutida em historinhas divertidas, o mais puro conservadorismo retrógrado e alienante “for childrens”. Vamos fazer faixas, queimar prédios públicos e cometer atentado violento ao pudor! Recatados lobotomizados, reclusos retardados não serão aceitos.
“Então ‘EVÉRE BODE’ Rock…”

Pseudo-redenção musical.

Demorei a me pronunciar sobre o “fenômeno” musical semi-folk tosco. Geralmente sou avesso a essas revelações juvenis, ainda mais quando super-dimensionam alguma dosezinha de não-clichê-pop radiofônico. Sim, falo de Mallu Magalhães. Obviamente, é uma criação midiática, com os trejeitos inacreditavelmente pueris e letras que beiram o nonsense, sobre vacas que voam, estrelas sorrindo e similares. A moça em si não faz um trabalho ruim, mas elevá-la a um patamar de redenção da música brasileira é absurdamente exagerado, pois nem música brasileira ela faz, o folk de Bob Dylan e Johnny Cash, os quais ela regurgita, não são exemplos musicais brasileiros, e outra : Raul em 1973 já fazia o mesmo, com genialidade, na música “Ouro de Tolo”, um “Tapanacara” da classe média alienada no contexto do “Milagre brasileiro” de Médici. É evidente que a técnica vocal de Mallu ainda é incipiente, mas possui condições de melhora. Largando essa imagem de menina que ainda assiste Ursinhos Carinhosos, talvez haja salvação.
Acompanhem trecho de uma matéria veiculada no site do canal de televisão Multishow, sobre a reação da nossa afamada Mallu a um “cumprimento ” com o dedo médio que um rapaz na platéia fez para ela:
Alguém na platéia mostrava o dedo médio para a cantora, que foi de tchubaruba a tiririca em questão de segundos. Para tudo e ela fala: ‘Ele tá me xingando! Por que você tá me xingando?’, pergunta, incrédula.
Ficou todo mundo bobolhando. Ok. Mallu explica: ‘Tem um menino ali que tá mostrando o dedo médio pra mim!’, reclama, abismada, e prossegue: ‘Por que você tá fazendo isso? Por que você tá me xingando? O mundo é de paz! Se você não gosta, não ouve, vai pro outro palco!’, avisa.”
A único trecho coerente é o “Se você não gosta, não ouve, vai pro outro palco!”. Essas crianças…
Ps.: Raul também fazia uso de uma imagem construída, a de “Maluco Beleza”, mas seu talento o redimia completamente.
Pps.: A moça é até bonitinha, tomara que pare de desafinar.
Ppps.: Não usei acordo gramatical nenhum, esses hífens ainda me matam!




